E não é que o Diburros Sketchbook 2011 ainda tem mais um lançamento? É a festa que nunca termina! Será em Curitiba, na Itiban no próximo dia 24, sábado, a partir das 17h30. Novamente estaremos bem acompanhados do amigo Gustavo Duarte, que também lançará sua Birds por lá.
ITIBAN Av. Silva Jardim, 845 – Curitiba (41) 3232-5367
O sketchbook não é um produto, é um subproduto. É o que sobra depois que você termina um trabalho. São seus esboços, suas idéias, ensaios, experimentações. Também é seu caderno de anotações, um documento pessoal seu que registra experiências visuais sob sua ótica e não deixa sua mão enferrujar.
Pra mim isso é o mais interessante, quando pego um sketchbook de um artista que eu gosto, estou olhando além do trabalho final, estou vendo o processo criativo do cara, seus thumbnails, erros, acertos e decisões que todo projeto demanda e que quase nunca aparecem. Também estou vendo seus desenhos descompromissados, seus rabiscos e aquilo que ele gosta de fazer simplesmente pelo prazer de desenhar.
É por isso que estou sempre olhando os livros de making of , como os “The Art of…” que sempre trazem desenhos incríveis, muitos esboços e conceitos essenciais para a produção de um filme, um jogo e também uma HQ. Pra quem desenha, ou se interessa pelo assunto é um prato cheio, pode mudar o seu dia.
Sketchbooks não são muito comuns aqui no Brasil, dá pra entender. Se produzir uma HQ já é um trabalho considerável e dificilmente dá grana (ainda mais se você for independente), imprimir e distribuir um livro só com esboços e direcionado para um público ainda menor é bem complicado. Mesmo assim acho que esses livrinhos são bastante enriquecedores e gostaria de ver a moda pegar. Por isso que quando fui levar meu humilde sketchbook pra San Diego Comic-Con há três semanas, disse que queria voltar com um monte.
Sendo essa a minha primeira convenção, é natural que o mais bacana tenha sido a oportunidade de conhecer e conversar com os próprios artistas, gente que conheço desde pequeno, sempre acompanhei o trabalho e também gente nova e talentosa que descobri já na era da internet. Entregar meu livro pra esses caras, ouvir na sequência “I’ll trade you”, e receber de volta o sketchbook deles, é pra mim além de uma honra, um sinal de que são muito educados ou gostaram do material (quem sabe os dois?).
Dos grandes, o único que não retribuiu a gentileza foi o Mestre Neal Adams, mas ok, mesmo tendo fama de chato, conversou comigo numa boa e me tratou muito bem. Aconteceu a mesma coisa com o Adam Hughes, sempre ouvi que era um mala mas foi muito legal e me perguntou “What do you do? Why don’t I know your work?” Respondi que sou ilustrador no Brasil, tenho um estúdio chamado Macacolândia e trabalho basicamente para agências de publicidade, “Ah! A real job”, concluiu. É uma piada velha, vários responderam isso.
Na contra-mão dos chatos existe sempre o Sérgio Aragonés. Respeitado e querido por todo mundo, ele fez juz à sua reputação de gente-finíssima. Depois que você conversa um pouco com ele, parece um tio seu. Amigo do Ziraldo, curte uma caipirinha e faz tudo pra te agradar. Quando voltei lá com o Gustavo, desenhou o Groo, deu presentes, fez desconto nos livros e contou histórias sobre o Salão de Humor de Piracicabade 1976. Mal sabe ele que é um dos grandes responsáveis pela formação do caráter de muitos da minha geração.
A San Diego Comic-Con é um evento de fãs, das 50.000 pessoas que por lá passavam diariamente, uma modesta porcentagem estava em busca de conhecer novos artistas e novos trabalhos. O pessoal queria mesmo, além de assistir palestra com celebridades e testar novos jogos, é o contato com os ídolos, autógrafos, quick-sketches, exatamente como eu, alguns parágrafos acima.
Sketches matinais feitos na Panera Bread. Jovem Brando eu, e a velhinha do coringa pelo Rafa Albuquerque.
Sendo eu portanto um marinheiro de primeira viagem, um artista completamente desconhecido, reconheço que o Diburros Sketchbook 2011fez um certo sucesso, o que foi ótimo. Não por nada, mas estava muito bem localizado e acompanhado desses caras que por lá já são celebridades há alguns anos. Não é a toa que paparam mais Eisners: Fábio Moon, Gabriel Bá eRafael Albuquerquejuntamente com a Becky Cloonan, nossa queridíssimaJill Thompsone é claro, oGustavo Duarte, já veterano nessas convenções internacionais e lançando sua terceira HQ independente: Birds, sucesso absoluto na convenção.
Outros brasileiros também circulavam, o João Ruas(conhecido nos EUA como Johnny Streets) acabou me ensinando o segredo da sua arte: guache cinza. Obviamente não vou contar como é porque essa informação vale muita grana, mas agora tudo faz sentido.
O Eisners Awards foi um evento à parte. Além de estar lá pela primeira vez, tive o prazer de ver (e tuitar) ao vivo o Bá, Moon eRafa marcarem mais um tento pro Brasil em San Diego, passando na frente de muitos favoritos. Mas a gente já sabia. “You know what this show needs? More brazilian brothers” disse o inglês no palco quando eu voltava com a cerveja. Ainda assim, afesta seria maior se os bares, hotéis e 7-Elevens vendessem bebida até um pouco mais tarde.
Mais um detalhe bacana, em cada acento do auditório tinha um livro do Will Eisner pra você levar. Aproveitamos pra completar a coleção.
A gente também fez um poster pra vender autografado no Booth, “The 7 Monsters Jam 2011″. Infelizmente não ficou pronto a tempo e no fim o correio americano ainda pisou na bola.
O Omelete apareceu por lá. Detalhe, na entrevista eu disse que conversei com Milton Caniff, mas ignorava o fato apontado pelo Danilo de que o velho Caniffé morto desde 1988. Agora fica a dúvida, ou conversei com o Sr. filho dele, já que me aproximei dizendo “Mr. Caniff!” e ele respondeu, ou tive um encontro paranormal com o antigo Mestre que faz questão de ultrapassar as barreiras da morte por um contato com os fãs. Perigoso, já que o evento contava com muitos Ghostbusters.
Também falamos pro Luciano Amaral no MOK da PlayTV. Nessa entrevista fica claro que na verdade sou irmão do Gustavo Duarte.
E o Grampo MTV do Cazé fez um programa especial sobre quadrinhos, entrevistando os Gêmeos e o Rafa.
Depois de San Diego, eu e o Gustavo demos um pulo em São Francisco para alegria de nossos amigos que já não encontravam motivos para nos chamarem de viados. Aproveitamos para desovar as últimas cópias dos nossos livros em algumas Comic Shops.
Aqui tem a lista das lojas nos EUA, Canadá e França onde você já pode encontrar o Diburros Sketchbook 2011 e aBirds do Gustavo:
Fiz esse filminho de 1 minuto em São Carlos num domingo chuvoso, com lâmpadas instáveis e meu pai ouvindo o Palmeiras no radinho de pilha. Como dá pra perceber, ninguém tinha nada melhor pra fazer.
Andando de bike pelo Residencial Samambaia, em São Carlos, me deparei com essa brilhante intervenção. Não dá pra ler direito o nome do autor, mas é algo como “Pedilara”.
Saiu uma entrevista comigo naRevista Ilustrar nº 11. É a primeira revista 100% brasileira feita por ilustradores, voltada para o mercado de ilustração nacional e internacional. É gratuita e online, para ler é só fazer o download do documento PDF.
Nessa edição estou muito bem acompanhado do Alberto Ruiz, Luiz Rosso,Ignácio Justo e Renato Alarcão. A entrevista saiu na sessão Sketchbook, onde falei basicamente sobre meus cadernos de esboços, já bem manjados e postados por aqui.
Tudo feito pelo Ricardo Antunes, que além de grande ilustrador é também o idealizador e editor da revista.
**É assim que se pula uma linha nesse blog. Isso é no mínimo TOSCO.********************
INKSHOT é uma antologia em quadrinhos com histórias curtas feita por artistas brasileiros. A idéia é produzir uma antologia composta só de roteiristas e desenhistas daqui, com o intúito de publicá-la no mercado norte-americano.
No fim do ano passado, Hector Lima, editor do projeto, me convidou para contribuir com uma história de 5 páginas. Aproveitei pra contar, meio que resumidamente a história de origem de um antigo personagem.
A revista traz também uma historinha animal do Danilo, aqui da Macacolândia.
São sketchbooks que viajam pelas mãos de artistas de várias partes do país. Quem recebe deve deixar sua contribuição e enviá-lo para o próximo artista. A compilação resultará em uma exposição itinerante e talvez um livro.
Essas são minhas duas páginas.
****É assim que se pula linha nesse blog, escrevendo e pintando de branco***
Tirei umas fotos durante o processo e montei um pequeno Making of. Na última foto, todos os materiais que usei no trabalho. Mais detalhes no Flickr.